Modelo com uma história de mais de 10,5 milhões de unidades vendidas, o incontornável Mercedes-Benz Classe C dá agora a conhecer a sua quinta geração, revolucionada no design, interior, chassis e motorizações, a partir de agora, todas elas eletrificadas. Com os quais o modelo que teve origem no famoso 190 passa a poder realizar até 100 quilómetros, sem recorrer a pinga de combustível.

Iniciado em 1982 com o já referido e eterno 190, foi perto de 10 anos depois, mais concretamente em 1993, que mudaria de nome, para adoptar a designação Classe C. Sendo que, a partir daí, não mais pararia a sua evolução, dando, por exemplo, a conhecer a carrinha (Estate), três anos depois, chegando aos dias de hoje com mais de 10,5 milhões de unidades transaccionadas em todo o mundo – e isto, diga-se, mesmo sem contar com o contributo da Estate, a qual não se vende nos dois maiores mercados da Mercedes-Benz, os EUA e a China. Resumindo: é obra!

O engenheiro-chefe da nova família Mercedes Classe C, Christian Frueh, e a sua criação

Com esta quinta geração agora desvendada, a família Classe C volta, mais uma vez, a re-imaginar-se, partindo, desde logo, de uma evolução da plataforma MRA II, acrescida com uma nova plataforma electrónica – conceito muito semelhante ao do novo Classe S – e uma evolução do chassis. Além, claro está, do design a estrear.

LEIA TAMBÉM
Acabou a combustão pura. Futuro Mercedes Classe C rende-se à eletrificação

De resto e sobre a nova estética desta quinta geração do Mercedes Classe C, cujas diferenças nas dimensões exteriores, face ao antecessor, passam por um crescimento de 6,5 cm no comprimento, +2,5 cm na distância entre eixos, +1 cm em largura e -1 cm em altura, referência obrigatória para o posicionamento do habitáculo um pouco mais recuado (apesar do capot dianteiro ser, efetivamente, mais pequeno), pilares traseiros mais largos (a acentuar o look Coupé), superfícies mais limpas, sem esquecer as duas finas elevações no capot, a denunciarem a potência do motor que alberga.

Ainda no exterior, a opção pela estrela no centro da grelha do radiador, ópticas dianteiras em LED (o sistema de Luz Digital estreado no Classe S está disponível, mas como opcional), e farolins traseiros mais esguios, a entrarem mais pela tampa da mala e a desenharem um ‘C’, composto por duas peças.

Voltando à base rolante, um crescimento de 2 cm na distância entre as rodas dianteiras e de 5 cm nas traseiras – vias mais largas… -, neste último caso, resultado, também, da adopção de um eixo traseiro direccional; aliás, o Classe C torna-se, assim, inclusivamente, na única proposta do segmento, equipada com esta tecnologia.

Na suspensão, geometrias independentes à frente e atrás, em ambos os casos com as rodas ligadas por braços múltiplos (e um sub-chassis atrás), existindo, ainda, a possibilidade (opcional) de optar por um sistema de amortecimento eletrónico variável e uma suspensão com afinação mais desportiva.

Já as motorizações híbridas plug-in, surgem, sempre, equipadas com suspensão pneumática no eixo traseiro, como forma de mitigar os efeitos negativos provocados pelo sobrepeso da grande bateria de alta tensão montada sobre esse mesmo eixo.

Interior com mais espaço e melhor funcionalidade

Passando ao habitáculo desta nova geração do Mercedes Classe C, a maior evolução é, mesmo, ao nível da habitabilidade, mesmo sem que o espaço disponível tenha crescimento grandemente – apenas 2 cm na largura e espaço para pernas atrás. Com a bagageira a manter-se igual (455 l) no sedan, mas a ganhar mais 30 litros (490 l) na Estate.

Mais importante é, no entanto, a melhoria da funcionalidade nas versões híbridas plug-in, as quais, embora continuando a ter bagageiras mais pequenas (315 l no sedan, 360 l na carrinha), perderam o irritante e intrusivo “caixote” que possuíam nestes espaços, por causa da forma como estavam acomodadas das baterias. Sendo que, a partir de agora, também se torna mais aproveitável a possibilidade de rebatimento 40:20:40 das costas dos bancos traseiros.

De regresso ao habitáculo, um maior enfoque no condutor, desde logo, com o ecrã central do sistema de info-entretenimento MBUX II, que tanto pode ser de 9,5 como de 11,5 polegadas, e com formato e sistema operativo muito semelhantes ao do Classe S, a partir de agora, mais virado para si. E que, em conjunto com o novo painel de intrumentos tipo tablet LCD de 10,25” (ou 12,3”) digital e totalmente configurável, vem melhorar significativamente toda a experiência de utilizador.

De resto, a contribuir, igualmente, para as sensações a bordo, a grande evolução realizada nos sistemas de assistência à condução, com o novo Classe C a exibir três estilos de mostradores (Discreet, Sport e Classic) e três modos (Navigation, Assistance, Service) por onde escolher, além de um sistema de comando vocal disponível em várias línguas e um head-up display que faz flutuar a informação 4,5 metros à frente do veículo.

Também novas, são as cinco saídas de ventilação e o novo volante, à imagem do renovado Classe E, embora com menor diâmetro, aro mais grosso e secção inferior mais achatada, ao qual não faltam sequer patilhas para passagem de caixa e dois comandos para aumentar ou diminuir a força de recuperação pela travagem no plug-in. A qual, no máximo de desaceleração, deverá permitir uma condução apenas com o pedal da direita, ao mesmo tempo que deverá conseguir uma recuperação de energia superior a 100 kW.

Motores: tudo eletrificado

Evolução, como já foi dito, também nas motorizações disponíveis, as quais passam a recorrer exclusivamente a blocos de quatro cilindros, acompanhados invariavelmente de caixa automática de nove velocidades, além de componente eletrificada: nuns casos com o sistema de motor de arranque/gerador (ISG) de 48V, o qual garante ao motor de combustão mais 22 CV/200 Nm em aceleração intermédia e forte, baixando consumos e melhorando as prestações, ao passo que, noutros, tratando-se do sistema híbrido plug-in muito melhorado.

Quanto ao Diesel de hibridização ligeira, um dos primeiros do mercado, recebeu uma nova cambota para permitir um aumento do curso dos cilindros para chegar aos 1992 cc em vez dos anteriores 1950, pressão de injeção incrementada de 2500 para 2700 bar, dois turbos agora com geometria variável e melhorias dos catalisadores e filtros de partículas.

Desta forma, estará disponível como C 200 d (163 cv), C 220 d (200 cv) e como 300 d (265 cv), neste caso, já com quatro rodas motrizes.

Finalmente e na oferta a gasolina, o conhecido 1.5 litros é a escolha para as versões C 180 (170 cv) e C 200 (204 cv) – também como 4MATIC –, ao passo que o 2 litros equipa o C 300 (258 cv), de duas e quatro rodas motrizes.

Já a pensar nos amantes de adrenalina… mas também de carteiras recheadas, uma primeira desilusão, resultada da perda, nos Classe C AMG, dos blocos 4.0 V8 com mais de 500 cv (C63 AMG) e do seis cilindros turbo (C43 AMG), por troca com um mais modesto, embora muito puxado, quatro cilindros 2.0 litros turbo com 421 cv, acrescido de com motor elétrico para assegurar uma potência máxima combinada de 550 cv.

Contudo, o maior progresso encontra-se nas motorizações híbridas plug-in a gasolina e Diesel, com o 300 e a gasolina a juntar ao bloco de 2 litros (204 cv), um mais potente motor elétrico (síncrono de íman permanente) de 129 cv (mais 7 do que anteriormente) e 440 Nm, de forma a garantir um rendimento total de 313 cv e 550 Nm. Ou seja, bem menos do que a anterior geração, que tinha 320 cv/700 Nm.

Já o Diesel (300 de), apenas se sabe que continua a recorrer ao motor de 2 litros, mais o elétrico e 129 cv, ficando, no entanto, por confirmar, o rendimento total final. Ainda que embora chegue uns meses mais tarde, a “prometer” uma potência conjunta a rondar os 300 cv e um binário na ordem dos 700 Nm.

Espera-se, igualmente, que a unidade a gasolina tenha um consumo médio homologado na ordem de 1,5 l/100 km e o Diesel 1,1 l/100 km. Sendo que e como é hábito, existem sempre a possibilidade de gerir o modo de atuação da propulsão, associando-a ao sistema de navegação, como forma de baixar consumos e maximizar a autonomia elétrica.

A par desta funcionalidade, as vantagens, ainda, de um pedal do acelerador com módulo háptico e ponto de pressão (num ângulo de 9,7 graus) até ao qual a aceleração é puramente elétrica (até aos tais 140 km/h), após o qual o motor de gasolina “desperta” com a sua potência e binário acrescidos.

Finalmente e resultado, também, das evoluções, neste caso, da bateria de alta tensão, que já vai quarta geração, a nova geração Classe C praticamente duplica a autonomia elétrica, com tanto a versão a gasolina, como Diesel, a anunciarem, a partir de agora, 100 quilómetros em modo zero emissões.

Depois e graças à estreia de um sistema de gestão interna de temperatura, o sistema também já permite carregamentos em corrente directa (DC), sendo que, com o carregador de bordo, opcional, de 55 kW, basta meia hora para uma carga completa. Já com o carregador de série, de 11 kW (trifásico numa Wallbox), é possível fazer o carregamento das baterias da nova geração do Mercedes-Benz Classe C em três horas.

O conteúdo Eletrificação é o mote. Mercedes Classe C renova-se com reforço das aspirações aparece primeiro em Turbo.

Ler Mais em: Revista Turbo

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.